segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Norma-Culta e a realidade linguística brasileira.
No atual quadro histórico do Brasil a norma culta perde cada vez mais espaço e características na fala e na escrita, por não se enquadrar com o perfil dos atuais falantes.
Norma a qual quis normalizar e padronizar a fala padrão pré-estabelecido para redações, livros, leis. Se tornando uma variação linguística dominante compostas por pessoas cultas e estudadas, que desprezam aspectos já existentes na fala, não conseguindo atingir a maioria dos falantes a qual Bagno (2006). Refere-se “... retirar a língua de sua realidade social, complexa e dinâmica, para transformá-la num objeto externo aos
falantes, numa entidade com "vida própria", (supostamente) independente dos seres humanos que a falam, escreve lêem e interagem por meio dela..”.
Esse fenômeno imposto aos falantes desconsiderou os vários tipos de normas linguística existentes na sociedade, pois cada grupo de falante possui uma norma diferente de outro grupo, fazendo com que eles possam ser distinguidos por suas características linguísticas, mas todos com um único objetivo a comunicação, usando a língua como um código de sinal. Entretanto, essas diferenças linguísticas sofrem pressão social, fazendo com que certos falantes sejam discriminados por sua fala, sendo até mesmo caracterizados como burros ou poucos estudados. Vemos com isso que, no Brasil, a norma culta está sendo usada para classificar uma pequena massa, e para dominar a grande massa, exemplo disso são as leis escritas da maneira mais culta possível em que a grande maioria não consegue entender nada.
Com resultados tão caóticos apresentados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a explicação é clara, falta mais escolaridade e a garantia de conclusão dos estudos a todos. Somos um país multilíngue e temos que ter essa visão bem clara para começarmos a solucionar as dificuldades com a língua e lutarmos contra o seguimento da elite em uniformizar e padronizar a fala. A maioria dos brasileiros
consegue e tem capacidade de se comunicar, o que falta é conectar as idéias, ter a noção de coesão e coerência em um texto e o domínio da ortografia, característica acarretada pelo déficit de leitura. A realidade é visível, o Brasil ainda vive nas sobras da língua imposta em sua colonização não sendo capaz de entender e assimilar a realidade e se adequar a com as variações linguísticas que surgiram com a urbanização e com a mudança de perfil do falante. Porém, a linguística tem um compromisso com a
educação, é o que diz Carlos Alberto Faraco em entrevista a Jackson Gome Junior (2007).
“Então as tarefas da linguística ainda estão para serem cumpridas, apesar do acervo de dados empíricos que já produziu. Mas ela precisa romper as fronteiras e se aproximar dos outros, para contribuir. Como a linguística é uma ciência que trabalha com aquilo que caracteriza nossa humanidade, que é a linguagem, ela tem um papel importante no enfrentamento dos temas humanos”.
A educação brasileira tem que rever seus conceitos, considerar suas questões sociais, ter a linguagem como estudo, romper as fronteiras e colocá-la ao alcance de todos, dando seu devido valor no enfrentamento dos temas humanos.
Referência:
CAETANO, Eva Mara.Resenha de FARACO, Carlos Alberto. Norma culta brasileira: desatando alguns nós. 1. Ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. Web-Revista SOCIODIALETO, V o l u m e 2, N ú m e r o 2, n o v e m b r o 2 0 1 2. In www.sociodialeto.com.br
terça-feira, 30 de outubro de 2012
POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola.
Campinas, Mercado de Letras, 1996, 95 p.
FRAGMENTO DA RESENHA DE Maria Helena da Nóbrega
"A primeira tese proposta pelo autor lembra que a escola não pode esquecer-se de seu papel no tocante ao ensino de língua materna:
ensinar o português padrão. “Qualquer outra hipótese é um equívoco político e pedagógico.” (p. 17)
Lembrando que, do ponto de vista cognitivo, o falante pode dominar vários registros linguüísticos, só é difícil ensinar o português padrão a alunos das classes socioculturais desfavorecidas, cujo contingente vem aumentando desde a década de 60, quando a escola passou a acolher cada vez mais um enorme número de pessoas advindas de classes sociais sem a menor desenvoltura na modalidade linguística prestigiada. Isso decisivamente criou uma nova realidade nas salas de aula, cada vez mais marcadamente heterogêneas do ponto de vista linguístico, em função dos níveis socioculturais diferenciados. Essa heterogeneidade vaza para todas as outras linguagens: diferentes modelos de comportamento, diferentes concepções de mundo, diferentes escalas de valores, diferentes formas de atuação no mundo, etc. Assim, uma das formas de alcançar o domínio da norma padrão pode ser a ênfase na escrita e leitura com freqüência, também nas
aulas de português. As atividades de ler e escrever devem frequentar assiduamente a aula de língua materna, não devendo ficar apenas como tarefa extraclasse."
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
segunda-feira, 20 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
FAX DO NIRSO
Um gerente de vendas recebeu o seguinte fax de um dos seus novos vendedores:
"SEO GOMIS, O CRIENTE DE BELZONTE PIDIU MAIS
CUATRUCENTA PESSA. FAZ FAVOR TOMÁ AS
PROVIDENSSA.
ABRASSO,
NIRSO."
Aproximadamente uma hora depois, recebeu outro:
"SEO GOMIS, OS RELATÓRIO DI VENDA VAI XEGÁ
ATRAZADO PROQUE TÔ FEXANDO UMAS VENDA.
TEMO QUE MANDÁ TREIS MIR PESSA. AMANHÃ TÁ
XEGANO."
ABRASSO,
NIRSO."
No dia seguinte:
"SEO GOMIS, NUM XEGUEI PUCAUSA DE QUE VENDI
MAIS DEIS MIR EM BERABA. TÔ INDO PRA
BRAZILHA.
ABRASSO,
NIRSO."
No outro:
"SEO GOMIS, BRAZILHA FEXÔ 20 MIL. VÔ PRA
FROLINÒPOLIS E DI LÁ PRA SUM PAULO NO
VINHÃO DAS CETE HORA.
ABRASSO,
NIRSO."
ASSIM FOI O MÊS INTEIRO. O GERENTE, MUITO PREOCUPADO COM A IMAGEM DA EMPRESA
LEVOU AO PRESIDENTE AS MENSAGENS QUE RECEBEU DO VENDEDOR.
O presidente escutou atentamente o gerente e disse:
“Deixa comigo que tomarei as providências necessárias.“
E tomou...
REDIGIU DE PRÓPRIO PUNHO UM AVISO E O AFIXOU NO
MURAL DA EMPRESA, JUNTAMENTE COM AS MENSAGENS DE FAX DO VENDEDOR:
"A PARTI DE OJE NOIS TUDO VAMO FAZÊ FEITO O
NIRSO. SI PRIOCUPÁ MENOS EM ISCREVÊ SERTO,
MOD VENDÊ MAIZ."
ACINADO,
O PRIZIDENTI".
Viva Mió, e não ci precupe cum detais.
"SEO GOMIS, O CRIENTE DE BELZONTE PIDIU MAIS
CUATRUCENTA PESSA. FAZ FAVOR TOMÁ AS
PROVIDENSSA.
ABRASSO,
NIRSO."
Aproximadamente uma hora depois, recebeu outro:
"SEO GOMIS, OS RELATÓRIO DI VENDA VAI XEGÁ
ATRAZADO PROQUE TÔ FEXANDO UMAS VENDA.
TEMO QUE MANDÁ TREIS MIR PESSA. AMANHÃ TÁ
XEGANO."
ABRASSO,
NIRSO."
No dia seguinte:
"SEO GOMIS, NUM XEGUEI PUCAUSA DE QUE VENDI
MAIS DEIS MIR EM BERABA. TÔ INDO PRA
BRAZILHA.
ABRASSO,
NIRSO."
No outro:
"SEO GOMIS, BRAZILHA FEXÔ 20 MIL. VÔ PRA
FROLINÒPOLIS E DI LÁ PRA SUM PAULO NO
VINHÃO DAS CETE HORA.
ABRASSO,
NIRSO."
ASSIM FOI O MÊS INTEIRO. O GERENTE, MUITO PREOCUPADO COM A IMAGEM DA EMPRESA
LEVOU AO PRESIDENTE AS MENSAGENS QUE RECEBEU DO VENDEDOR.
O presidente escutou atentamente o gerente e disse:
“Deixa comigo que tomarei as providências necessárias.“
E tomou...
REDIGIU DE PRÓPRIO PUNHO UM AVISO E O AFIXOU NO
MURAL DA EMPRESA, JUNTAMENTE COM AS MENSAGENS DE FAX DO VENDEDOR:
"A PARTI DE OJE NOIS TUDO VAMO FAZÊ FEITO O
NIRSO. SI PRIOCUPÁ MENOS EM ISCREVÊ SERTO,
MOD VENDÊ MAIZ."
ACINADO,
O PRIZIDENTI".
Viva Mió, e não ci precupe cum detais.
domingo, 5 de junho de 2011
VARIAÇÕES LINGUÍSTICAS
<iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/gUDtnp6tE5c" frameborder="0" allowfullscreen></iframe>
Análise gramatical da entrevista dos Nardoni por Rafinha Bastos e Marcelo Mansfield.
Chopis Centis
Mamonas Assassinas
Composição : Dinho / Júlio Rasec
Eu 'di' um beijo nela
E chamei pra passear
A gente 'fomos' no shopping,
Pra 'mó de' a gente lanchar
Comi uns bichos estranhos,
Com um tal de gergelim
Até que tava gostoso,
Mas eu prefiro aipim
Quanta gente,
Quanta alegria,
A minha felicidade
É um crediário
Nas Casas Bahia
Quanta gente,
Quanta alegria,
A minha felicidade
É um crediário
Nas Casas Bahia
Paríba!
Joinha, joinha chupetão vamo lá
Chuchuzinho vamo embora
Onde é que entra hein?
Esse tal "Chópis Cêntis"
É muicho legalzinho,
Pra levar as namoradas
E dar uns rolêzinhos
Quando eu estou no trabalho,
Não vejo a hora de descer dos andaime
Pra pegar um cinema, do Schwarzenegger
"Tombém" o Van Daime.
Quanta gente,
Quanta alegria,
A minha felicidade
É um crediário
Nas Casas Bahia
Bem Forte, bem forte
Quanta gente,
Quanta alegria,
A minha felicidade
É um crediário
Nas Casas Bahia
Às variações de pronúncia, vocabulário e gramática pertencentes a uma determinada língua chamamos de dialetos. Os dialetos não ocorrem somente em regiões diferentes, pois numa determinada região existem também as variações dialetais etárias, sociais, referentes ao sexo masculino e feminino e estilísticas. O sotaque não pode ser confundido com dialeto. “A questão é que certas diferenças fonéticas entre sotaque podem ser estigmatizadas pela sociedade, da mesma forma como certas diferenças lexicais e gramáticas entre os dialetos o são. O sotaque e o dialeto de uma pessoa varia sistematicamente segundo a formalidade ou informalidade da situação em que se encontra. ( Linguagem e lingüística. Uma introdução -John Lyons).” As transformações que vão acontecendo na língua se devem também à elite que absorve alguns termos de dialetos de classes mais baixas, provocando uma mudança lingüística, e aí o “erro” já não é mais erro... e nesse caso não se diz que a elite “corrompe” a língua.
(Adaprtação do texto de Ana Cláudia Fernandes Ferreira anaclau@iel.unicamp.br)
Análise gramatical da entrevista dos Nardoni por Rafinha Bastos e Marcelo Mansfield.
Chopis Centis
Mamonas Assassinas
Composição : Dinho / Júlio Rasec
Eu 'di' um beijo nela
E chamei pra passear
A gente 'fomos' no shopping,
Pra 'mó de' a gente lanchar
Comi uns bichos estranhos,
Com um tal de gergelim
Até que tava gostoso,
Mas eu prefiro aipim
Quanta gente,
Quanta alegria,
A minha felicidade
É um crediário
Nas Casas Bahia
Quanta gente,
Quanta alegria,
A minha felicidade
É um crediário
Nas Casas Bahia
Paríba!
Joinha, joinha chupetão vamo lá
Chuchuzinho vamo embora
Onde é que entra hein?
Esse tal "Chópis Cêntis"
É muicho legalzinho,
Pra levar as namoradas
E dar uns rolêzinhos
Quando eu estou no trabalho,
Não vejo a hora de descer dos andaime
Pra pegar um cinema, do Schwarzenegger
"Tombém" o Van Daime.
Quanta gente,
Quanta alegria,
A minha felicidade
É um crediário
Nas Casas Bahia
Bem Forte, bem forte
Quanta gente,
Quanta alegria,
A minha felicidade
É um crediário
Nas Casas Bahia
Às variações de pronúncia, vocabulário e gramática pertencentes a uma determinada língua chamamos de dialetos. Os dialetos não ocorrem somente em regiões diferentes, pois numa determinada região existem também as variações dialetais etárias, sociais, referentes ao sexo masculino e feminino e estilísticas. O sotaque não pode ser confundido com dialeto. “A questão é que certas diferenças fonéticas entre sotaque podem ser estigmatizadas pela sociedade, da mesma forma como certas diferenças lexicais e gramáticas entre os dialetos o são. O sotaque e o dialeto de uma pessoa varia sistematicamente segundo a formalidade ou informalidade da situação em que se encontra. ( Linguagem e lingüística. Uma introdução -John Lyons).” As transformações que vão acontecendo na língua se devem também à elite que absorve alguns termos de dialetos de classes mais baixas, provocando uma mudança lingüística, e aí o “erro” já não é mais erro... e nesse caso não se diz que a elite “corrompe” a língua.
(Adaprtação do texto de Ana Cláudia Fernandes Ferreira anaclau@iel.unicamp.br)
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